quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Quando o Inverno Chegar...













...na verdade já se instalou! É tempo de recolhimento! De ficar em casa, de procurar uma lareira, de procurar a "felicidade do quentinho" entre um chá e uma manta, na companhia de um livro cúmplice... acima de tudo é tempo de permanecer, de suportar as agressões mantendo a nossa beleza! O calor dos dias chegará! É inevitável...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Este Outono que encerra...


















Não sei se olhei para este Outono que hoje encerra, como se fosse a primeira.. ou como se fosse a última vez!

Sei que foi especial...
e sei que terei de preservar sempre... a frescura do olhar!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Lado Luminoso da Crise

Antes de avançar, tenho de ressalvar que todos os efeitos da crise com alerta vermelho, com agregados familiares a passarem fome, sem emprego, sem rumo, sem estrutura e sem ferramentas para reagir estão excluídos deste post e são tratados por mim com a devida seriedade e solidariedade (dentro do que me é possível)! O que aqui se propor retratar é, acima de tudo, a mudança de hábitos e a alteração do quadro de referências de quem sentiu o abalo mas ainda não perdeu o controle…

Aguardo com alguma expectativa a chegada da crise… aliás, a crise já deu o ar da sua (des)graça mas decerto que o seu efeito corrosivo ainda vai só no início.

Aguardo, porque é inevitável. Quanto mais rápido melhor. E na verdade, não suporto momentos de transição. Uma vez atingido o limite com o pior dos cenários sabemos que é o ponto de partida para a atingir a recuperação. É uma espécie de “tudo para o abismo” para a seguir ocorrer a sua transmutação.

E enquanto permanecemos algo muda, tudo muda. A nossa percepção. Os preconceitos. As convicções. A nossa verdade. A vida.

A crise é uma viagem ao essencial. É um fogo purificador que por onde passa dizima…destrói, leva as nossas coisas sem pedir licença, deixando-nos no imediato com um cenário desolador, a preto e branco.

A crise rouba-nos o controle.

Sacode-nos!

Dizem que é cíclica. Talvez seja uma forma que o Universo arranjou para nos ensinar a lição do desapego.

No tempo preliminar, fingimos que não a vimos, que não era dirigida a nós… ostentámos os nossos cartões de crédito em tom desafiante como se nos conferissem uma espécie de imunidade. Como se se tratasse de um atalho ou de uma solução milagrosa para a transpor.

Ela foi paciente, ganhou força e agora será implacável.

Mas ainda assim, na rendição encontro beleza, profundidade e alternativa. Senão, vejamos os verbos que materializam a jornada para suportar a crise:


*Consertar* Seleccionar* Ajudar* Partilhar* Aconchegar*

*Criar* Recuperar* Trocar* Cuidar* Superar*


Consertar

Com a varinha de condão do poder económico o que outrora se substituía rapidamente ao mínimo sinal de fraqueza, agora olha-se novamente, procura-se entender, procura-se dar uma segunda oportunidade. Até damos vida a móveis e objectos esquecidos.

Seleccionar

Com a crise, apuramos as nossas escolhas, aprendemos a separar o essencial do supérfluo, exploramos as razões, escutamos as nossas motivações, enfrentamos as verdadeiras necessidades que pretendemos preencher… uma espécie psicanálise antes de chegar à caixa. E ficamos mais livres do que abdicamos!


Ajudar

O Banco Alimentar da Luta contra a Fome atingiu valores históricos num ano em que os portugueses se encontram financeiramente tão debilitados. Porque o verdadeiro conceito de dar passa não por prescindirmos do excedente mas de algo que também nos é essencial. Ficámos mais humanos, mais atentos à realidade do outro, às suas necessidades. O nosso coração ficou mais comovido, mais generoso.

Por outro lado, começamos a deixar o orgulho de lado e ganhamos a coragem de voltar a proferir as palavras tão difíceis de verbalizar “peço-te ajuda”.


Partilhar

Nesta jornada, voltamos a ter o comportamento de quando éramos estudantes… partilham-se livros, conhecimentos, ferramentas, música, filmes, roupas, boleias… E como diz o meu amigo T “ as coisas boas partilhadas não se perdem, ampliam-se”.

Aconchegar

Com a crise, aconchegamo-nos em casa. Sentimos protecção e conforto. Abrandamos o ritmo. Lêem-se livros que ainda se encontram intactos muitos deles adquiridos nos tempos áureos. Temos tempo para aprender. Arrumam-se armários (e desfazemo-nos do que já não nos move), gavetas, organizam-se fotografias, bilhetes e recordações, colocam-se etiquetas, experimentam-se novas receitas. Renova-se a disposição dos móveis. Damos espaço para o novo que um dia há-de vir. Vêem-se e revêem-se filmes indispensáveis. Contactam-se amigos menos frequentes.

Criar

Para enfrentar a crise, tornamo-nos contorcionistas de vida, inventamos receitas com restos de comida, arranjamos novas oportunidades de negócio (como aquele senhor desempregado que começou a vender almofadas terapêuticas de caroços de cereja), deixamos a descoberto o nosso potencial criativo. Fazemos bricolage. Deixamos de comprar e inventamos soluções. Semeamos plantas aromáticas na varanda. Descobrimos dons.


Recuperar

Na procura de soluções voltamos a ouvir os ensinamentos ancestrais. Experimentamos mezinhas utilizadas pelas nossas avós. Fazemos alquimia. Trocamos o químico pelo biológico, os refrigerantes pelo chá. Deixamos de ir a centros comerciais e preferimos ir a feiras e mercados, pela manhã. Fazemos piqueniques e longos passeios a pé. Descobrimos o nosso país.

Trocar

Trocamos toxicidade por depuração. Trocamos bens ou serviços sem a presença do elemento pecuniário remontando ao período troca por troca. E desejamos encontrar a roda da fortuna.


Cuidar

Sob o signo da poupança, abranda-se o consumo. Produzimos menos resíduos. Esprememos embalagens. Preferimos chávenas de vidro em vez de copos de plástico. Levamos sacos para o super-mercado. Poupamos água, luz e recursos. As pessoas optam por transportes públicos outras, aderem ao car-sharing. As nossas deslocações são ponderadas. E quando damos por ela, estamos envoltos em práticas ambientais. O ambiente agradece!


Superar

Nas reportagens a que tenho assistido acerca do tema, considero notáveis os casos “de dar a volta por cima” com uma grande dose de sacrifício pessoal tal como os casos de queda, com a cara a descoberto. Pessoas que um dia tiveram uma vida faustosa num mundo de ostentação, muitas à custa do seu próprio trabalho e que se afundaram. E deixarem de o mascarar e, acima de tudo, assumi-lo publicamente, revela nobreza de alma e a certeza de que essas pessoas foram talhadas para o sucesso.


Na verdade, a vida é uma peça de teatro sem direito a ensaios. E podemos ficar apegados ao cenário ou viver a nossa história com os papéis que nos são atribuídos, quer sejamos protagonistas ou não. Viver é explorar a sua realidade com a certeza de que seremos melhores pessoas quanto maior e diversificado for o espectro de emoções percepcionadas, exploradas, sentidas e vividas.

E depois um dia partimos, apenas com a bagagem do coração. Tudo o que deixamos, tudo o que restou de nós, como diz o José Luís Peixoto, agride quem nos amou. Torna-se difícil de arrumar. Tudo o que justificou lutas incessantes, dor, esforço, sacrifício, orgulho e até discussões permanece intacto, às vezes ao abandono e a ganhar ervas daninhas, a desafiar uma existência maior em comparação ao nosso prazo de validade.

Em última instância, resta-nos a fé, a esperança, a certeza de uma ordem maior que equilibra e sabe o que faz… e também o consolo das palavras sábias do Khalil Gibran… “onde escavar a vossa tristeza caberá a vossa alegria”.

O Sol da Meia-Noite!

A noite traz palavras de silêncio, sussurros, murmúrios, promessas e convites inevitáveis que se desfazem com o nascer do dia que nem algodão doce na boca…


A noite ousa e pousa sobre nós o véu da sensibilidade

Dá-nos doçura…

Criatividade

Foco, concentração

Leva-nos a dançar!

A noite exalta, depura, amplia… mas a escuridão instalada pede aconchego e recolhimento!

A noite faz chorar o que o dia faz congelar.

Torna as pessoas mais bonitas!

À noite, apenas brilha o que tem luz… enquanto as sombras se densificam e ficam sinuosas.

À noite, descobrem-se caçadores e seguidores de estrelas que pedem orientação e clarividência.

As acções têm eco, têm impulso, têm força, têm purpurinas, têm volúpia...

E por isso, há gestos, conversas prolongadas, mensagens trocadas, poemas, notas soltas, livros, músicas, verdades e segredos que só se podem revelar à noite. A luz do dia crua e racional ser-lhes-ia letal.

Acredito que nos países nórdicos em que os dias e as noites são adquiridos por atacado, seja mais fácil carregar as baterias e dar ritmo ao coração, para o colocar por um longo período a trabalhar… a partilhar, vibrar, amar, pedir desculpa e perdoar.

Talvez o avulso dos dias, nos dê instabilidade… a alternância incessante entre o dia e a noite deixa-nos inquietos; não nos deixa permanecer…

Às vezes quero prolongar o dia…

Às vezes quero prolongar a noite…e nestas alturas sinto saudades de ouvir o meu Pai perguntar à minha Mãe se fazia serão… ou a combinar o que seria feito ao serão… e o serão parecia um tempo suspenso entre o jantar e a hora de dormir, que durava o tempo que se quisesse… e por isso havia tempo para conversar, para ler, ver televisão, para ouvir o que o meu Pai escrevia... Às vezes nos serões de sexta-feira, colocava-se um lençol branco na parece e até víamos slides projectados que não nos cansavam de tanto os vermos vezes sem conta.

A noite é o Inverno dos dias… que pede protecção e o calor de uma lareira…

…ainda que eu também goste das noites quentes de Verão… só é pena que já não encontre pirilampos e já não salte as fogueiras nos Santos Populares.

A noite não me deixa adormecer…

Porque a noite… destapa e desperta memórias!

Dignidade!

A minha fotografia intitulada "Dignidade" ficou em primeiro lugar no concurso de fotografia "Justiça Social no Concelho de Loures".

Confesso que nunca pensei ser possível ganhar um foto desprovida de "maquilhagem". Não houve prémio até porque na sua essência é um "empurrão" e não, uma consagração!

sábado, 20 de novembro de 2010

Facebook - A teia social!

Bom, confesso que tenho de vir aqui partilhar a correr estas palavras antes de ser influenciada pelo filme “A Rede Social”. É certo que já muito dissertei acerca de vantagens e inconvenientes sobretudo na fase de resistência… na fase em que os influenciadores me faziam crer que se eu aderisse havia a promessa de contactos mais frequentes como se estes dependessem da facilidade e não da vontade. Costumava ripostar… “tenho o telemóvel ligado 24 horas e sou das pessoas que ainda gosta de receber cartas e postais de Natal!” .

No tocante à fase de adesão ao Facebook li algumas crónicas no jornal i, do Edson Athayde, que me deliciaram e que até ao momento considero que foram as que melhor souberam retratar esta “virtualidade”.

Estando ciente dos riscos, ciente da minha vontade e não querendo amolecer perante as pressões mas também não querendo “enrijecer” com as minhas convicções… decidi aderir à experiência, afinal há sempre um prazo estipulado pela lei para anular os contratos e também aqui seria possível reverter facilmente a situação.

Ao início, na primeira semana, analisei a coisa como se tratasse de um objecto de estudo… e decidi investigar cada recanto. Sim, fui um bocadinho cusca… vi os amigos dos amigos, as fotos dos amigos, os álbuns de férias, os comentários entre amigos, os colegas-amigos, os amigos do chefe, os amigos (colegas) do presidente... Ao fim de uma semana estava cansada, vazia, tinha menos horas de sono e, uma vez saturada da vida dos outros, regressei à minha. Percepcionei uma teia invisível que envolve as relações expostas, que permite viver uma espécie de second life com acções à distância de um click… afinal, há pessoas que pedem amizade (soa tão estranho esta expressão e no mínimo, é pueril) mas que depois baixam os olhos quando se cruzam connosco… e eu, nestes momentos, lembro-me da inconsequência dos brinquedos para crianças cheios de botões… e constato que também os adultos têm os seus brinquedos cheios de botões… mas estes dão choque, movem acções, consciências, percepções e ilusões.

Comecei a receber convites, dos amigos, potenciais amigos, conhecidos, de ex-amigos, colegas, de ex-colegas, exes e futuros qualquer coisa… e actualmente, por mais que queira travar o contador da amizade virtual, mesmo excluindo quase sempre pessoas desconhecidas (também os dados do perfil da pessoa fazem com que as coloque excepcionalmente à experiência durante 15 dias) torna-se difícil recusar o colega do lado que vai interiorizar a nossa recusa com animosidade tal como enfrentar o constrangimento do parente afastado que enxotámos, ao reencontrá-lo num almoço de família (mais alargado). E quando se começa a perder o controlo da plateia tem que se o recuperar na superficialidade dos posts que partilhamos (sim, eu sei que existem filtros, mas não me parece que vá dedicar tempo a fazer essa gestão).

Percebi que seria inevitável permanecer…

Apercebi-me que se tornou um hábito, que se gasta tempo valioso (não, não dá para suavizar com a palavra “investe”) e que a sua consulta é um impulso antes de iniciar algo… é como ir ao café do bairro, pela manhã, à hora de almoço, no final do dia e sempre que possível… já faz parte, não se questiona… E o botão refresh torna-se na habitual pergunta “então e novidades?!” (felizmente não nos devolve “Só no Continente”, valha-nos isso!) e fazemos tantos refreshs quanto queremos novidade na nossa vida.

Ao navegar pelo Facebook há cerca de um ano, com alguns mergulhos, não posso deixar de partilhar o que avisto nas profundezas ou na espuma, à superfície!

Para começar, acho sempre piada ao random da selecção de seis fotografias retiradas do álbum dos amigos… O acaso leva a que se consiga misturar as fotos dos homens do passado, lado a lado, alinhados e todos direitinhos, que nem a página da necrologia do coração, numa coexistência pacífica como se tratasse de um quadro de honra, ali… serenos, sem se “engalfinharem” uns com os outros. Passado e presente misturam-se, como num medley das nossas vivências, uma amálgama de histórias que nos move, moveu e comoveu… com tanto de engraçadas como de esgotadas.

Depois, há a necessidade de bloquear tudo o que sejam jogos virtuais, restaurantes, quintas, aquários, beijos e abraços virtuais… Cheguei a pensar que seria bom ficar viciada numa destas coisas, pois decerto que treinaria a minha disciplina, organização e gestão de tempo mas nunca me aproximei destas zonas pantanosas. Quando aderi andava tudo louco a pedir pregos e tábuas para celeiros, a emprestarem tractores uns aos outros e eu, que acalento o sonho de ter uma horta e um jardim bem reais, questionava-me se estas acções não iriam influenciar as pessoas a quererem ir viver para o campo ou simplesmente a plantarem uma horta na varanda. Percebi rapidamente que não! Como certas pessoas só estavam no Face para estas celebrações ou para falarem de futebol, foram logo desviadas da auto-estrada dos posts.

Na red carpet do Facebook passa de tudo…

Palavrões disfarçados por caracteres especiais (ou não), estados de espírito que pedem colo, reticências, citações invasivas da Bíblia, citações invasivas do Alcorão, mensagens sinuosas e tenebrosas, desabafos, dúvidas, inseguranças, teasers que nunca se revelam e ainda afugentam quem tenta descobrir o enigma, mensagens subliminares quase sempre a indicarem o oposto, mensagens preliminares, tratados de amizade, provas públicas de amor, barómetros de vida social (tipo, “if estou sempre em festa rodeado de amigos sorridentes then sou automaticamente feliz!”), recados para exes, agendas diárias escancaradas (“’tou aqui e depois vou ali e esta informação é indispensável para a vossa sobrevivência”), posts crónicos bazófias (as demonstrações de grandeza não são esporádicas para fazer uma invejazinha saudável aos amigos, reunir uma meia dúzia de comentários provocadores, aumentar o deleite e seguir em frente… Não! Há certas pessoas que só aparecem para cumprirem este propósito!).

Às vezes, o lixo mental que corrói os nossos pensamentos e que nem sempre é verbalizado… é varrido directamente para a rua do Facebook.

…Há os que consultam horóscopos, recebem respostas tontas e que ainda as partilham como se tivessem encontrado a Pedra Filosofal!

Neste percurso, encontram-se também os utilizadores tipo “fiscal da ASAE”: raramente se vêem no Face, aparecem de rompante, deixam uma série de comentários e voltam a desaparecer, sem sequer nos darem tempo para reagir…

Há ainda uns mais matreiros, a que eu designo por “camuflados”… como nunca deixam uma ar da sua (des)graça ao publicar um post ou a fazer um comentário deduz-se que estão bem longe da lida do Facebook mas, na verdade, estão muito atentos, a observar milimetricamente todos os movimentos e até estão munidos de binóculos!!!

…Assim, é preciso pegar numa escumadeira para retirar as músicas que podemos vir a conhecer, reconhecer, ou as que nos deixam numa jukebox imaginária, as citações, os eventos que poderiam escapar, as curiosidades, os pensamentos, as cumplicidades, os insólitos que nos fazem rir e sorrir, as mensagens tardias consoladoras, a partilha de gostos comuns, os comentários balsâmicos e terapêuticos que tornam certos momentos menos dramáticos, as fotografias que nos inspiram e nos movem, os amigos resgatados do passado que faz sentido trazer para o presente…

... Às vezes, quando ando pelo Face, sinto que caminho sobre brasas, que há esconderijos que não se devem espreitar, mas também me sinto a voar de balão ou ter a emoção de uma feira de diversões…

Estando ciente que também eu possa usar ou cair de vez em quando, consciente ou inconscientemente, nas armadilhas do Facebook, tenho o lema de que… um post ou deve acrescentar algo à vida das pessoas ou arrancar-lhes um sorriso! E tudo à distância de um click!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

T Moments...

"Dear Diary... last week I finally met T for the first time in person... Well it was not the first time, but it was the first that really mean something!"

Bem, vou confessar-te… já te tinha vislumbrado antes nessa noite! Enquanto esperava pela confecção do meu temaki de salmão no Go Natural, vi-te cirandar a zona, impaciente pela espera dos teus amigos, numa sweet versionleãozinho a passear na jaula”. E depois, de tanto tempo de espera, depois da inevitabilidade daquele momento que o destino impôs, não quis que a nossa 2ª oportunidade fosse precipitada por um pstttt…T! E por isso, limitei-me a esperar, a sorrir, a observar-te, a comentar “ele já anda aí” e a reparar que estavas com uma camisa aos quadrados!!! Lembras-te da nossa conversa?! :-) Efectivamente os botões não estavam todos abotoados, nem tu tens ar de nerd! ;-)

Depois, quando nos encontrámos, quando senti a tua presença com o teu abraço, quando os meus olhos procuraram todos os pontos de focagem… concluí que na realidade, tens ar de um valente gorgeous british guy!!! :-) E porquê? Não sei bem se vou conseguir explicar… pela brancura da tua pele, pelo teu porte, pelo teu ar “polite” com uma pitada de aristocracia... uma espécie de T Dor(ian) Gray que apenas exala beleza sem ser psicopata! :-) Quando se olha de relance, adivinha-se um ser de ar rebelde e atrevido como já tinha constatado em fotos mas a surpresa foi que, olhando com atenção, descobre-se em ti um ar doce, terno, meigo e uma voz suave… que disfarça a acutilância das tuas palavras escritas. E assim, ao contrário do Jorge Palma eu encontrei uma "cara de anjo bom"! :-)

E quando finalmente “permanecemos” por alguns minutos, eu imaginei uma ampulheta gigante a demarcar o tempo de sincronização de todas as nossas conversas sem rosto, com toda a informação acumulada ao longo deste meses ou até mesmo anos! Sim T, deixaste de ser virtual… és real! ;-)

A Beleza

Desconfio da beleza como quem desconfia de vendedores de camisa amarela, colete, pasta debaixo do braço e gestos abertos.

A beleza traz pontos de avanço agarrados

É uma armadilha onde se quer cair

A beleza incita, inebria…

Enfeitiça.

Desarma.

Manipula.

Seduz.

Condena.

Prenúncio de submissão

Impõe e pressupõe rendição

A beleza apresenta-se com simetria de formas

Tem sorriso de criança e olhar penetrante

Que nos faz acreditar estarmos na presença de Anjos

que apelam à bondade e protecção

que nos fazem acreditar na inevitabilidade da felicidade

perante a sua presença e radiância…

Mas estes anjos apenas nos conduzem para labirintos

Para correntes de água subterrâneas

Terrenos áridos

E descampados ventosos

E por isso, quando vejo uma pessoa bonita

Desconfio

Recuo

Desactivo a sua beleza aos meus olhos

Procuro objectividade e verdade

E não me deixo dispersar!

Nota: Beleza é a substância que Joseph Fiennes exala no filme "Killing me Softly" enquanto aguarda no semáforo pelo sinal verde para avançar (com a sua história)!

domingo, 25 de abril de 2010

O dia do teu aniversário!

Apesar de não estares fisicamente entre nós, não posso deixar de lembrar o dia em que celebravas o teu aniversário... simplesmente porque invoca o momento em que tudo começou e que permitiu fazeres parte da minha vida... Por isso partilho o texto que te escrevi e que releio muitas vezes como forma de matar saudades... e a tua fotografia que assinala o início de um processo doloroso e irreversível, vivido com muito Amor e dedicação!
(Foto tirada no dia que fomos saber o resultado da 1ª ressonância magnética - 07/09/07)
Querida Belita!

Há uns dias atrás, estava sentada no sofá, com a televisão ligada mas alheia, a pensar em ti… e uma frase veio ao encontro a mim e que dizia: “Não chores porque acabou mas sorriu porque aconteceu…”. E ainda que a dor de te perder seja dilacerante e o consolo não chegue através de uma frase feita, fui obrigada a sorrir e sobretudo a agradecer o privilégio de teres feito parte da minha vida…e fazendo agora a retrospectiva da tua vida…acho que ambas sabemos que valeu a pena!
Querida tia, como hoje reconheço a bravura do teu ser, a tua eloquência, a tua determinação, o teu amor por nós, a coragem para seguires o instinto do teu coração…
Sei que tiveste períodos difíceis, de introspecção, de tristeza… que afinal fazem parte da vida… mas sei também que em nenhum momento a tua alma deixou de revelar a sua grandeza e o teu poder feminino…
E plantaste um jardim como forma de expressão, deste vida a móveis antigos, deliciaste-nos com receitas novas que te atrevias a experimentar ou com os pratos e doces saborosos a que já nos tinhas habituado… a propósito, os biscoitos que fazíamos ficarão para sempre com o teu nome...
Dedicaste-te à pintura, às artes decorativas, aos lavores, tricotaste camisolas para nós que escolhíamos em revistas e em tudo isso ficou marcado a reverência dos teus gestos, o toque especial que nos fazia adivinhar que tinhas sido tu a criá-los.
Sempre foste sensível e atenta às pessoas que te rodeavam e também ao Mundo com o teu espírito crítico apurado… e até houve um dia em que decidiste consertá-lo um bocadinho à tua maneira, ao candidatares-te a Presidente da Junta… Lembras-te?
E o que muitos fazem pelo jogo do poder, tu fizeste-o por convicção e altruísmo. Para mim, foste a verdadeira vencedora porque afinal quem perdeu não foste, definitivamente, tu.
Valorizo também saberes ter esperado pelo “momento certo” e teres tido a coragem de saíres da tua zona de conforto e segurança, fechares a tua lojinha e seguires o teu desejo, a tua vontade… e sujeitares-te a ser “emigrante” aos 45 anos, por Amor.
E hoje, sei que amaste e foste amada. Tiveste um homem que te tratou com uma dedicação extrema, como tu o merecias, é certo, mas como poucos o faziam… e que está a sofrer desmesuradamente com a tua partida… Estamos todos!
E quando a doença chegou soubeste imediatamente aceitá-la… Nunca te vi revoltada…apenas com receio… mas a coragem faz-se também de medo, caso contrário chamar-se-ia inconsequência ou irresponsabilidade!
Querida tia, foi doloroso ver-te partir aos poucos…
Foi difícil ter conhecimento de inúmeros casos de sucesso, olhar-te nos olhos e eles gritarem que estavas gravemente doente e que não havia nada a fazer… quantas vezes o meu desejo e imaginação se converteram em raios de luz que aniquilavam essa massa negra que lavrava na tua cabeça, sem pedir licença nem autorização…
Foi difícil agarrar as lágrimas à tua frente pois se elas aparecessem seria uma prova de que também nós tínhamos perdido a esperança…
Foi difícil continuar a sorrir para ti, quando a certeza de que te íamos perder começou a percorrer-nos nas veias…
Foi difícil suportar a impotência de não te conseguirmos ajudar… e cuidar de ti foi a única forma que arranjamos para expressar e materializar o nosso Amor.
Querida tia, como disse Saint-Exupery “agora que partiste, nunca mais nos vamos separar”. O teu corpo atingiu o seu limite mas continuarás viva dentro de nós, em cada detalhe.
Obrigada por teres existido!
Obrigada por teres tocado a nossa vida e os nossos corações.

Sofia
10/12/08

sábado, 17 de abril de 2010

10 Palavras...


A Natália Rodrigues pediu-me dez palavras, baralhou-as e escreveu este texto lindo acerca de mim...

Naquela noite deitei-me tarde.
Adormeci olhando o crepúsculo pela janela do meu quarto.
E enrolada na minha coberta violeta, deixei-me levar pelas asas da noite.
Todo o meu dia havia sido desconcertante, tantas coisas por resolver, tantos assuntos por concluir, tantas respostas por dar, tantas palavras entaladas na garganta, tantos suspiros retidos, tantos desejos por realizar.
Deixei-me levar, derrotada pelo cansaço, ao encontro do mundo onde nada controlamos.
Ao encontro do lugar onde tudo se pode desfazer, com um abrir de olhos.
Ao encontro do espaço onde tudo cabe, e onde nós cabemos de qualquer forma.
Onde os perigos só duram horas, onde a vida só dura minutos, onde a morte é só uma ilusão, onde tudo tem um significado que não significa nada.
Deixei-me levar porque precisava muito abandonar a minha história, a reverência dos meus actos, e encontrar a sintonia dos meus passos.
Deixei-me levar porque senti que ficar comigo mais um instante seria demasiado penoso, para que pudesse suportar.
Adormecer naquela noite era o meu maior desejo.
E nesse intervalo entre a vida que dorme o tempo de acordar, ouvi o sussurro da noite.
Foi o som mais doce que alguma vez escutei.
A minha pele arrepiou-se, a minha alma estremeceu.
De onde poderia vir um som, capaz de fazer sentir a sua falta logo á chegada?
Embrulhada na manta violeta, não devo ter conseguido movimentar o meu corpo do mesmo jeito que estremeceu o meu espírito.
Mas no mundo da noite, enquanto planamos no vazio, tudo é possível.
E o sussurro continuou, tornou-se então em linguagem e esforcei-me para o entender, concentrei-me mais, e para o fazer em vez de fechar os olhos, abri o coração.
Pétalas… pétalas…
Pétalas?!
Deixei-me levar pelo ténue toque desse expirar da noite, e repeti vezes sem conta: pétalas.
E nessa noite em que depois de um dia desconcertante, desejei adormecer enrolada na minha manta violeta e entrar em sintonia com alguma coisa que me desse conforto, que nutrisse o deserto que sentia por dentro.
Nessa noite em que nas asas do sono abandonei a reverencia e fiquei sem jeito no meio da cama olhando o crepúsculo.
A noite em que ouvi o sussurro mais doce que algum dia imaginei existir, conheci o poder das pétalas.
Todas juntas formam uma flor.
Só uma é leve e frágil, voa com o vento, pisa-se sem querer, todas juntas são uma obra da natureza.
Pétalas, também somos nós. Sozinhos, não somos quase nada e juntos, ocupamos um planeta.
Todos os nossos problemas são os problemas do mundo, são capítulos de uma história que escrevemos juntos há muito mais tempo do que nos é possível recordar.
Não vale a pena, querer ser só uma flor sem perceber a beleza da pétala, nem querer ser só uma pétala sem perceber a beleza da flor.
Não vale a pena, pensar que somos únicos, sem perceber que é a diversidade que nos torna assim.
Não vale pena nada, senão soubermos render-nos á insignificância de aceitar que somos a pétala que faz a flor, que faz o jardim, que faz a natureza, que liga tudo.
Pétalas. Atiram-se no dia do casamento, decoram os bolos, fazem perfumes, atiram-se no dia da nossa partida.
E eu que estava tão revoltada, com um nó por desfazer, rendi-me ao sussurro, e senti a beleza de ser como uma pétala.
Quando acordei, estava feliz.
Afinal mais importante do que resolver tudo o que havia deixado, foi o facto de eu ter ganho um novo propósito: ser a flor da minha vida.
Procurar em cada pessoa o espaço para me encaixar e ajudar a criar a mais bela flor desse momento.
Deixar-me render pela insignificância, fez de mim uma pessoa muito mais forte. Muito mais completa.
Fez de mim uma pétala fascinada pelo jardim onde vivo.
Natália Rodrigues
Abril 2009

Obrigada, Natália! ;-)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Não te vou procurar...

Querido R.

Foste tão importante para mim que não consigo ter maus pensamentos a teu respeito…
E prefiro pensar que viajaste, que estás incontactável e que estas partículas que existem no silêncio talvez cicatrizem a minha dor até à extinção da lembrança ou me devolvam uma explicação lógica em que consiga acreditar.
Sempre analisaste a realidade de forma exímia e cheia de discernimento….e eu não me apercebi de era um assunto proibido fosse falar dos teus gestos e do que eu sinto /senti perante eles.
Senti a tua falta, a tua indiferença a tua ausência nos momentos presentes e quis falar-te disso… com a esperança que a nossa estrutura fosse inabalável, com a esperança que lesses a realidade e a verdade com os meus olhos, com a esperança de que quando dizias que éramos almas companheiras fossem para valer, com a esperança de que as mensagens que me enviavas a meio da noite quando estavas meio embriagado fossem verdadeiras. Mas tu sacudiste-me, sentiste que fui inconveniente, que invadi o teu espaço e por isso despachaste o assunto com a facilidade de um gesto mecânico. Não quiseste sequer discutir e eu cheguei a pensar que as pessoas que discutem têm a sorte de terem alguém do outro lado aflito por expor outro modo de leitura, ainda que os argumentos sejam descabidos ou soem a falso… e por isso, eu teria preferido ter discutido a sentir que a nossa amizade (ou o fim dela) fosse comparada a uma embalagem descartável e resolvida de forma civilizada.
E sabes o mais curioso? Não me arrependo… não me arrependo porque agi de coração, porque não consigo fingir que está tudo bem para evitar conflitos, porque se não te mostrasse o quanto me estavas a magoar estaria a trair a transparência que sempre tive contigo.
E percebo que os amigos são as pessoas que escolhemos e a quem confiamos o código secreto da nossa conta emocional. Num segundo eles podem fazer um desfalque, num segundo eles podem depositar uma fortuna. O mais importante é termos capacidade para confiar de novo o código, mesmo que traga risco associado e pior que uma quebra emocional é um coração enrijecido.
Fazes-me falta! Mas não te vou procurar…não por alimentar orgulho desmedido…(se sempre te expus as minhas fraquezas e fragilidades porque me armaria em forte, logo agora?!!) mas porque abalaste a confiança de tudo o que vivemos e do lugar que te concedi.
Não te vou procurar… porque sei que não vou encontrar o que perdi!

domingo, 11 de abril de 2010

Arte poética por José Luis Peixoto

Ao inaugurar o meu blog não posso deixar de partilhar o meu poema preferido... é lindo, brutal e lê-se sofregamente:

"o poema não tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não
se escrevem, lê-se país e mar e céu esquecido e
memória, lê-se silêncio, sim, tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar de doce de menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?,que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é quando eu podia dormir até tarde nas férias
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu
fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a
letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha do
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas
e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo.
o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para
abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo,
é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento,
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é a
raiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos
conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um
torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema
porque a palavra poema é um palavra, o poema é a
carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre
os telhados na hora em que todos dormem, é a última
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança.
o poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos,
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se
com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido."

in "A Criança em Ruínas"

...Finalmente!

Ao escrever este texto cumpro não só uma resolução para 2010 mas acima de tudo um desejo de há muito tempo. Hoje senti o impulso do começo e acordei com vontade de ouvir a voz do Eddie Vedder na banda sonora do Into the Wild… talvez por isso, o alinhamento dos planetas esteja favorável! :-)
Aos 33 anos a memória já falha, os acontecimentos sucedem-se desenfreadamente sem termos tempo para os absorver pelo que tenho esperança que este blog sirva não só de backup das minhas vivências, como também seja uma “alfândega” que possibilite resgatar memórias, depurar os momentos, analisá-los com reverência e talvez descobrir-lhes um nível de entendimento e profundidade maiores.
Sei que a escrita liberta… sei que após o seu registo em papel (já sei, vou ter de na habituar a escrever directamente no pc!) os acontecimentos ficam mais suaves e mais resolvidos. Por isso, espero que a escrita flua e que consiga alcançar “a força secreta das palavras”… não por pretensão mas por conseguir ir ao encontro do meu Ser através deste “veículo”.

Tenho receios…

- que seja mais um projecto que não conclua;
- que fique “viciada” e que viva virtualmente a realidade; que deixe de “respirar” os momentos com a pressa de os registar num post (à semelhança de turistas que sacam fotos em catadupa sem sequer contemplarem o monumento);
- da exposição e da falta de mistério… ainda que os conteúdos obedeçam a critérios de forma a proteger alguma privacidade;
- que as minhas palavras possam causar incómodo ou má interpretação a pessoas amigas

…mas mesmo assim quero arriscar!

Espero que este blog seja, acima de tudo, um espaço de partilha em que, por breves instantes, consiga fazer sorrir… pela partilha da cumplicidade, por despertar uma lembrança, por inspirar!

Por isso vou inaugurar o primeiro post… e deixar fluir! ;-)

Até porque…

“Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer.” Miguel Sousa Tavares